O futuro da saúde está se formando bem diante dos nossos olhos. E não é um futuro distante. Até 2026, veremos uma revolução silenciosa, porém profunda, nos bastidores dos hospitais, nas mãos dos profissionais de saúde e até no pulso do paciente.
Em uma conversa com João Silva, Product Designer da Micromed, e Felipe Broering, nosso Head de Engenharia, mergulhamos nas tendências que estão emergindo dos principais relatórios globais e que já vêm guiando os projetos da empresa. Com base em fontes como Forbes, Medical Economics, IQVIA e SPDLoad, João mapeou os caminhos que a saúde digital está trilhando. E Felipe mostrou como a Micromed já vem aplicando essas ideias com inovação concreta.
A publicação “8 Breakthrough Technology Trends That Will Transform Healthcare In 2026”, da Forbes, destaca o avanço acelerado da inteligência artificial na área da saúde. Entre os usos mais promissores, estão a descoberta de novos fármacos, agentes conversacionais e automação de diagnósticos.
João, especialista em design de experiências conversacionais, reforça que essa transformação não é só técnica. Pelo contrário, ela também exige sensibilidade. “Chatbots de saúde precisam evoluir para agentes capazes de entender o usuário, adaptar o tom e respeitar seu estado emocional. Confiança, explicabilidade e personalização não são luxo. São condição básica para adesão.”
Além disso, esses agentes precisarão atuar como uma ponte entre pacientes e médicos. Eles poderão antecipar sintomas, organizar dados clínicos e contextualizar a conversa antes mesmo da consulta começar.
Portanto, a tendência é que esses sistemas ganhem um papel estratégico, principalmente em contextos onde a agilidade no atendimento salva vidas.
Segundo um artigo da Medical Economics, entre 25% e 30% das consultas médicas nos EUA poderão ocorrer virtualmente até 2026. Naturalmente, essa mudança vai exigir novas infraestruturas, tanto técnicas quanto humanas.
João observa que, para quem projeta experiências digitais, essa transição exige repensar toda a jornada do paciente. Desde a pré-triagem por chatbot, passando pelo rastreamento de dados vitais em tempo real, até o encerramento da consulta com protocolos de segurança.
Além disso, os agentes conversacionais poderão atuar como facilitadores nesse fluxo. “Eles fazem as perguntas certas, coletam dados de forma ética e preparam o terreno para que o médico chegue mais bem informado”, explica João.
Por essa razão, a experiência precisa ser fluida e integrada. Caso contrário, o paciente pode se sentir perdido — ou, pior, desconfiado do processo.
De acordo com o relatório da SPDLoad, a Internet das Coisas Médicas (IoMT) será protagonista no cenário da saúde até 2026. Sensores vestíveis, dispositivos em casa e dados contínuos exigem novas formas de apresentar informações ao usuário.
Nesse sentido, João chama atenção para um desafio crescente: a tradução de dados técnicos em mensagens simples. “Não basta mostrar gráficos. É preciso comunicar com clareza, por exemplo: ‘seu ritmo cardíaco está fora da média, deseja que eu notifique seu médico?’”
Além disso, os dispositivos devem conversar entre si e com os sistemas clínicos, sem criar ruídos na experiência. Isso exige um ecossistema de saúde bem orquestrado.
Por isso, a experiência do usuário precisa ser construída sobre um pilar de confiança, com foco na usabilidade e na linguagem acessível.
O relatório da IQVIA destaca que interoperabilidade, governança e alinhamento com políticas públicas serão fundamentais até 2026. Isso reforça a importância de projetar experiências digitais que traduzam os bastidores técnicos em interações compreensíveis para o usuário.
Em outras palavras, o desafio é garantir que APIs, protocolos de segurança e integrações com sistemas legados operem sem fricção visível para médicos e pacientes.
Além disso, a arquitetura de dados deve respeitar princípios de consentimento e privacidade, sem tornar o processo burocrático ou desconexo.
Por consequência, o design de produtos digitais na saúde precisa ser mais estratégico do que nunca.
No relatório “Healthcare Technology Trends 2025 | CIO’s Guide”, da Hyro.ai, ganham destaque os medicamentos digitais e terapias habilitadas por aplicativos. Isso inclui desde apps que ajudam na adesão ao tratamento até sistemas de suporte à decisão clínica.
“É uma área promissora para agentes conversacionais”, diz João. “Imagine um paciente com condição crônica que recebe lembretes personalizados, educação em saúde adaptada ao seu perfil, e pode tirar dúvidas com um assistente digital.”
Essa é a nova cara do cuidado contínuo: personalizada, proativa e apoiada por tecnologia amigável.
Segundo o relatório “Medical Cost Trend”, da PwC, os custos com saúde continuarão crescendo até 2026, pressionando hospitais e clínicas a buscarem soluções que tragam previsibilidade, eficiência e redução de retrabalho.
João acredita que isso vai fortalecer ainda mais o papel de automações conversacionais e soluções de suporte ao fluxo clínico. “Tudo o que ajudar o médico a focar no que realmente importa — o cuidado com o paciente — vai ganhar prioridade.”
Isso abre uma janela estratégica para tecnologias que atuem nos bastidores, aliviando a carga cognitiva dos profissionais de saúde e otimizando a jornada clínica.
Felipe Broering nos mostra como as tendências não são apenas previsões futuras. Elas já estão sendo aplicadas, agora, dentro da Micromed. Os principais projetos da empresa dialogam diretamente com o que os estudos apontam como tendências dominantes para 2026:
Além disso, Felipe destaca oportunidades ainda em aberto, como o monitoramento remoto de pacientes, a modularidade dos dispositivos, e o fortalecimento da nuvem como serviço clínico completo — não apenas repositório.
O ano de 2026 não será apenas mais um marco cronológico. Ele marca o início de uma nova lógica na saúde. O digital deixa de ser ferramenta e passa a ser o eixo da operação médica.
João conclui com uma provocação importante: “A pergunta que toda organização deveria se fazer agora é — como o nosso produto ou serviço vai se encaixar nesse ecossistema inteligente, integrado e centrado no usuário que está se formando?”
E deixe sua opinião:
Qual dessas tendências você já vê surgir na sua realidade clínica?
Quais parecem mais distantes ou mais promissoras para o seu contexto?
Vamos continuar essa conversa.
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